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Maquete de uma encruzilhada em que uma placa se divide em quatro caminhos e só um leva a um tabuleiro com oito cartões em branco

O que é Como Poderíamos? + 8 Ideias (e o que a sequência muda)

Como Poderíamos (HMW) junta o método de Min Basadur aos Crazy 8s: reformule o problema em 4 perguntas e dispare 8 ideias para a que mais incomoda.

Como Poderíamos? + 8 Ideias combina o How Might We (cunhado por Min Basadur na P&G nos anos 1970 e depois adotado por IDEO, Google e outros como pilar do design thinking) com os Crazy 8s de Jake Knapp (Google Ventures). Primeiro você vira o problema em quatro perguntas abertas; depois dispara oito respostas distintas para a que mais incomoda, em oito minutos. O truque não está em nenhuma das duas peças. Está na ordem. Sem a reformulação, você produz ótimas respostas para a pergunta errada, e isso acontece mais do que parece, especialmente quando o problema “já está claro”. Sem a pressão dos oito, você para na primeira ideia razoável e vende ela para si mesmo antes de explorar. A sequência não é pedagogia: é engenharia de prazo para derrotar a autocensura no momento exato em que ela costuma vencer.

As três etapas: reformular, focar, disparar

1

Reformule em 4 perguntas Como Poderíamos

Qual versão do problema você está prestes a resolver, e será que é a que precisa ser resolvida?

Escreva quatro variações “Como Poderíamos” para o mesmo desafio, cada uma mudando uma coisa:

  • uma que amplia o escopo;
  • uma que restringe;
  • uma que inverte a lógica;
  • uma que muda quem é o sujeito da ação.

Quatro problemas distintos, quatro territórios de solução. A maioria dos times vai direto para o primeiro que aparece e perde os outros três.

2

Escolha a pergunta-foco

Qual das quatro, se respondida bem, muda mais coisa?

Não escolha a mais confortável. Escolha a que, só de ler, já dá um leve desconforto de “isso vai dar trabalho”. Em geral é a que expõe uma premissa que todo mundo tratava como resolvida: as outras três são táticas; essa é estrutural.

3

8 ideias distintas, sem filtro

Como ter oito respostas que não sejam a mesma ideia oito vezes?

Oito respostas em oito minutos, uma por minuto, sem deletar, sem explicar, sem repetir mecanismo. A regra não é ter oito boas ideias; é ter oito ideias diferentes. A restrição de tempo mata o perfeccionismo. A restrição de distinção mata o cluster, aquela tendência de gerar dez variações do mesmo conceito e chamar de dez ideias.

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Por que reformular antes de gerar ideias

A tentação é pular a etapa 1. O problema parece óbvio, então você corre para as soluções. É aí que a técnica te salva de você mesmo: a pergunta que você não escreveu é a que você não vai responder.

Quando o problema “já está claro” é justamente quando ele merece desconfiança. “Aumentar a retenção” soa como um problema, mas é a conclusão de um diagnóstico que ninguém fez. Reformular em quatro lentes obriga esse diagnóstico a aparecer: amplia, restringe, inverte e troca o sujeito até uma das versões expor a premissa escondida atrás da pressa.

É o que acontece na história da exposição que ninguém olhava: três semanas respondendo “como prendo o público” até a reformulação mostrar que o defeito estava na própria pergunta, não na falta de ideias.

Vale o contrário também. Se você já tem uma direção validada e precisa de profundidade na execução, reformular aqui vai parecer procrastinação, porque é. A técnica é para quando o problema parece claro demais (ou claro de menos) e o time já está gerando soluções para a versão errada da pergunta.

Onde a sequência vira ideia: retenção em curso online

O input. preciso aumentar a retenção dos alunos no meu curso online, muita gente abandona por volta da terceira semana.

Reformulação. Quatro HMWs: “Como poderíamos fazer a semana 3 ser a mais esperada do curso?”, “Como poderíamos saber antes que um aluno vai abandonar?”, “Como poderíamos fazer os alunos que ficam puxarem os que estão indo embora?”, “Como poderíamos fazer o abandono custar algo, não em punição, mas em perda real?”. A última incomoda. Fica essa.

Pergunta-foco. “Como poderíamos fazer o abandono custar algo?”, porque todas as tentativas anteriores (e-mail de incentivo, módulo bônus) atacavam motivação. Esta ataca custo de oportunidade, que é o mecanismo real por trás de concluir qualquer coisa.

8 ideias. Grupo de estudo formado na semana 1 (sair deixa pessoas na mão); certificado parcial que expira se não concluir; módulos futuros desbloqueados só em sequência; mentoria ao vivo apenas para quem está em dia; fórum curado que fecha para quem sai; projeto real com cliente externo que depende da entrega; reembolso parcial só para quem termina; nome no produto gerado pela turma. Oito custos distintos, nenhum é punição: são perdas reais de valor que só existem se continuar.

Perguntas frequentes

Preciso usar exatamente oito ideias ou posso fazer mais? +

Oito é o número correto, não por misticismo, mas porque força distinção. Com quatro você para cedo; com doze começa a repetir mecanismo e chamar de ideia nova. Se passou de oito com facilidade, provavelmente tem clusters disfarçados de variedade.

Posso aplicar isso sozinho ou funciona melhor em grupo? +

Funciona nos dois contextos, com diferenças. Solo, a etapa 1 é mais honesta: você não ancora nas perguntas dos outros. Em grupo, a etapa 3 ganha em diversidade real, mas exige que cada pessoa gere suas oito de forma independente antes de compartilhar; caso contrário o grupo converge para as primeiras ideias ditas em voz alta.

A pergunta-foco escolhida na etapa 2 pode mudar depois das 8 ideias? +

Sim, e isso é sinal de que a técnica funcionou. Às vezes uma das oito ideias revela que a pergunta-foco era ainda a segunda mais interessante. Voltar à etapa 2 com novas informações não é recomeçar: é o método trabalhando direito.

Como sei se minhas 8 ideias são realmente distintas? +

Teste rápido: se duas ideias seriam implementadas pelo mesmo time, usando o mesmo recurso, atacando o mesmo momento da experiência, são a mesma ideia. Distinção real significa mecanismos diferentes, não palavras diferentes para o mesmo conceito.

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